quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Voz de Passagem


Tava andando por aí,
Virei à esquina e te vi cantar.
Parei na esquina e te observei cantar.

De repente, a alma subiu,
A alma saiu.
Já tava em outra esquina,
Na esquina de outros carros e na esquina de outros passos.
Te levei junto,
Nem te vi hesitar.
O clima tava quente,
A chuva persistente.
Povo assustado e eu temente.
Escutei tua voz,
Suficiente pra lembrar de nós
Brincando de se conhecer,
em meio a roda de tediosos sábios,
que fingem saber.
Sábio ou sabiá? Sábio ou sabiá?
Somos sabiás.
Livres pra voar.

Foram lá uns cinco minutos e cinqüenta e três segundos,
De repente, lá tava eu na esquina má.
Já nem era sabiá.
Já nem era livre pra voar.
Mas o vôo foi real, foi vital.
Voltei cheirando tapioca,
E tu A mandioca.
Voltamos cheirando a infância,
Cheios de esperança.

Cante esquinas,
Nos remeta a remotas avenidas.
Continue a cantar.
Precisamos voar!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Julgo.


Julgo-me através de outrem,
através de ninguém.

Pois é mais fácil ver pelos olhos de outro a si mesmo
do que ver a si mesmo por si mesmo.
A consciência fica mais leve.
A culpa é alheia e o soco dói menos.
A solução deve ser adjacente e requer menos.

Em consequência,
Julgo-te estúpido.
Acerto-te em tudo, em tudo.
Machuco-te de onde não posso machucar.
Busco-te lágrimas que não podes enxugar.

Firo-te pelo “pensamento alheio”.
Na veia, véio. Na veia, veio.
Alcanço-te bem no meio.
Soco-te no seio do peito.

Mas que defeito! Mais que defeito.
É possibilitar o impossível.
Inadmissível!
Odeio-te, criança. Cresceste!
Cresceste e não largaste essa mania de inventar,
Essa mania desastrosa de cumprimentar o inadmissível.
De beijar o intangível.

Pensamento tolo.
...mento que nem é teu.
Pensa... que é teu! É teu.
Pensas, penso!

Picture by leninhagp

Primeiro nômades, depois sedentários.


São impressionantes as exigências que o sentido das coisas clama.
Admirável, posso dizer.
Claro que nem sempre o porquê das coisas é tão “guerra e paz”,
Mas os que são se tornam incrivelmente interessantes.

Flutue seu corpo numa água calma,
Num ar sossegado,
Em brisas que não falam.
Sinta-se puro e, conscientemente,
Deixe-se invadir por um estrondoso som.
Daqueles que escravizam o ar e a brisa,
Daqueles que, compulsoriamente, agitam as águas antes plácidas.
Percebeu?
Os seus sentidos, sensíveis ao oposto,
Precisaram do adverso para que o sossego existisse.
Claro que valorações se invertem em cada sujeito,
Mas, independente do juízo de valor,
as exigências são as mesmas para que julgamentos maniqueístas possam figurar num mundo.
(Despreocupado com opiniões,
Pois ele apensas existe,
E nós o valoramos.)

E é curiosíssima a forma como montamos os valores.
Por vezes, revoltante.
Tudo porque, num processo de autoconhecimento,
Amamos o melhor e odiamos o pior.
Incontestavelmente,
Esse processo de buscar o sentido das coisas requereu a saudação ao melhor e ao pior.
De que outra forma poderíamos comparar?
O ser humano constrói ideologias, opiniões, prédios, filosofias e idéias
A partir de relações.
Vide as equações matemáticas,
Vide as eleições,
Vide as evoluções.
A história tem sua construção caracterizada pela morosidade,
E tem sua edificação chamada de processo porque é sempre necessário olhar para trás,
Ou para baixo, ou para cima.
Por isso o mundo está repleto de críticas e de dedicatórias.
É tudo “... -2, -1, 0, +1, +2 ...”.
Surgem antecessores e os sucessores.
Surgem as escolhas e as definições.
Começamos no zero,
Visitamos os dois extremos,
Convencionamos um de Negativo e outro de Positivo.
Apesar de sabermos que são convenções,
Acreditamos ser verdade, já que sentimos essa veracidade.
Viajamos em tudo, moramos num lugar único.
Como disse,
O mundo está aí, assim como um papel para quem intenta escrevê-lo,
Assim como a história para a humanidade.
O mundo que vemos é oriundo da lógica que criamos.
Ele não é assim, mas PODE ser assim.
Nunca saberemos como ele realmente é,
Pois ele não “é”,
Ele “está”.

Admiro intensamente a doce Mary Jane.
A porta à casa dos deuses.
O instrumento do mito.
A saudação ao almejado e ao onírico.
O cumprimento ao alternativo.
Uma calorosa mulher capaz de fazer do teto o chão,
Do toque audição,
E do cheiro visão.
Apresentando a quem a prova um novo mundo,
Uma nova forma.
Mostrando aos sentidos a sua mais pura versatilidade.
Não defendo Mary (1, 2, 3),
Mas reconheço sua flexibilidade, sua desordem e sua ordem.
E por isso é tão odiada,
E por isso é tão amada.
Afinal, para uns o mundo "está" perfeito demais,
Para outros "está" monótono demais.
O incontestável é que ambos, por meio de imaginações ou realizações,
Já visitaram o lar alheio.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Depoimento


E eu nunca pensei que filmes preto e branco pudessem ser tão coloridos.
E eu nunca pensei que Elis pudesse ser tão Britney.
E eu nunca pensei que Caeiro pudesse ser tao Potter (imagina: " Albeto Caeiro Potter" ueheuheu).
E eu nunca pensei que Livro pudesse ser tão Música.
E, por fim, eu nunca pensei que essa AMIZADE pudesse existir.

Agradeço a Deus por me surpreender com essa grande AMIGA que tu és!
E agradeço a ti por me surpreender a cada "Cine Pipoca".

Um (nem tão) distinto andarilho.


Imagine uma fila,
de várias linhas,
de várias colunas.
São todos iguais, ou parecidos, ou próximos.
Apenas uma direção.
É intrigante saber que todos têm história.
Mas nao intriga ter história.
Agonia não ver história.
Agonia-me o padrão.

E, então, o "de repente!" surge.
Você me vê! É fácil me ver.
Estou em direção contrária, estou olhando aos lados.
Pensando, analisando. Chorando!
Não é dificil remar contra,
pois nem de criatividade é necessário.
É fácil ser diferente quando todos são iguais.
É fácil saber que para fugir do preto e do branco
basta usar azul com amarelo,
ou só azul,
ou só amarelo.
Todos são gêmeos , os pensamentos, os julgamentos.
São gêmeos, trigêmeos e poligêmeos.

E por isso é tão prazeroso ver um berro, surto, choro e um "louco"
no meio do povo.

Todos andam contra o distindo andarilho.
A diferença é distinta, interessante e julgada.
A igualdade é o alvo despercebido de olhos críticos.
A igualdade é a covardia dos fracos!
(quão seguro, quão secreto.)

Quando se há igualdade não há sujeito, indivíduo.
Há coletivo, seja alcatéia, multidão, colméia.
Não há "eu", "você", "ele".
Há "nós".
E "nós" é vazio,
é a primeira leitura,
é a resposta forjada (como és?),
é a desculpa esfarrapada,
é o egoísmo altruísta,
é o "faço isso por nós",
é tanta coisa,
é uma coisa.
No final, é por você.
É você.

Eu sou assim, se você reler, se você marcar, se você analisar,
Verá identidade e a verdade.
Eu sou eu, você é você,
e "nós" somos/é a fuga de você em mim e de mim em você.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Possibilidade do Infinito.


Estou no meio
de duas retas paralelas não coincidentes.
Olhando para frente,
enxergo o infinito,
já que vejo o cruzamento,
o ponto.

Andando mais um pouco,
o ponto anda nos mesmos passos,
na mesma velocidade
de uma forma que a distância entre mim e ele se torne constante.
O fato é que,
nem eu e nem ele
deixamos de existir.
Podemos não existir juntos,
comungando de um mesmo espaço.

Ao chegar no ponto em que de longe eu achava ser o INFINITO,
percebo que ele não é como eu achava,
ele nao é nem cruzamento
e nem infinito.

Isso porque o infinito é apreciado de longe,
imaginado e descrito distantemente.
Pode-se pensar que seja inatingível,
mas o fato de podermos vê-lo,
o fato de podermos sentí-lo e imaginá-lo,
torna-o mais vivo que uma pessoa que não imagina.
Obrigado, meu Deus, por imaginar!

O Ponto.


E quando tudo tem vida,
tudo fica relacionado.
Ter vida é ter significado,
seja recebendo,
seja fazendo história.

E aquele pôr do sol? E aquele filme?
Sim. Pura vida!
Talvez a minha vida.
Fez-me perceber o quanto a distância emociona,
o quanto a reta afasta dois extremos,
o quanto a reta preenche-se de pontos.
Segmento? Semi? Sabe lá onde isso vai dar,
sabe lá de onde isso se deu.
O lápis risca história tão naturalmente.

A parte mais difícil é olhar onde se chega,
partindo de onde se parte.
Não, não.
O mais difícil é parar para parar e ver.
Quando eu vi, foi quando eu chorei.
Senti-me culpado de riscar torto,
de riscar diferente.
Foram anos de reta.
Serão tantos de curvas?

Vi que as lições de casa eram minhas,
e que já poderia fazê-las autonomamente.
Isso me assustou demais!
Deixei de sentir mãos guiando a minha.
Deixei de cobrir e colorir espaços predeterminados.
Isso me assutou muito!
Isso me fez chorar, fez-me ter vergonha.
Fez-me dar "oi" a um ponto localizado num desvio da remota reta.

Tudo porque toda lição tem avaliação.
E toda avaliação tem avaliadores.
E os meus... Ah, os meus.
Estão tão longe,
tão convictos de seus ensinos.
Certos da perpetuação.
E cá eu, convicto das minhas opiniões.
Nem tanto das minhas ações.
A lógica é dificil de ser quebrada.

Vago incessantemente em busca de aprovação.
Em direção ao autoconhecimento.
"Into the wild".
Será que pode-se usar o mesmo lápis,
sobre o mesmo papel?
Conciliação. Que dádiva!
Que onírico!
Poderei, eu, conciliar aprovação e autoconhecimento?
Ouvi por aí,
vi por ai que são retas paralelas que nao coincidem.
Mas também vi que tais retas se cruzam no infinito.
Nunca vi alguém que convergisse nesse ponto.
Alguns o chamaram de comunismo,
uns de paz mundial,
outros de "origem das coisas",
outros de Deus.
Pra mim... Felicidade.

Então, surge um andarilho esperançoso, cansado e único
que ruma ao INFINITO.
Um simples ponto,
cheio de paz pessoal.