quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Um (nem tão) distinto andarilho.


Imagine uma fila,
de várias linhas,
de várias colunas.
São todos iguais, ou parecidos, ou próximos.
Apenas uma direção.
É intrigante saber que todos têm história.
Mas nao intriga ter história.
Agonia não ver história.
Agonia-me o padrão.

E, então, o "de repente!" surge.
Você me vê! É fácil me ver.
Estou em direção contrária, estou olhando aos lados.
Pensando, analisando. Chorando!
Não é dificil remar contra,
pois nem de criatividade é necessário.
É fácil ser diferente quando todos são iguais.
É fácil saber que para fugir do preto e do branco
basta usar azul com amarelo,
ou só azul,
ou só amarelo.
Todos são gêmeos , os pensamentos, os julgamentos.
São gêmeos, trigêmeos e poligêmeos.

E por isso é tão prazeroso ver um berro, surto, choro e um "louco"
no meio do povo.

Todos andam contra o distindo andarilho.
A diferença é distinta, interessante e julgada.
A igualdade é o alvo despercebido de olhos críticos.
A igualdade é a covardia dos fracos!
(quão seguro, quão secreto.)

Quando se há igualdade não há sujeito, indivíduo.
Há coletivo, seja alcatéia, multidão, colméia.
Não há "eu", "você", "ele".
Há "nós".
E "nós" é vazio,
é a primeira leitura,
é a resposta forjada (como és?),
é a desculpa esfarrapada,
é o egoísmo altruísta,
é o "faço isso por nós",
é tanta coisa,
é uma coisa.
No final, é por você.
É você.

Eu sou assim, se você reler, se você marcar, se você analisar,
Verá identidade e a verdade.
Eu sou eu, você é você,
e "nós" somos/é a fuga de você em mim e de mim em você.

3 comentários:

  1. Quando eu digo nós somos no ultimo verso, eu acabo assumindo ser fugitivo da distinção na igualdade.

    O título é interessante. A informação no parênteses revela que eu nao sou diferente dos demais porque todos nós temos subjetividade, história pessoal, surtos, loucuras. Portanto, sou igual aos outros, sou único como eles. Sou unico sendo semelhante. Igualdade e diferença podem concomitar. No final, somos iguais e diferentes pelo mesmo motivo: ser único!

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  2. o poema fala de duas coisas: esconder a escentricidade na igualdade e esconder o egoismo humano no "por nós", já que eu sou igual a você e faço isso por nós. Esconder o egoísmo no "nós".

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