domingo, 10 de maio de 2009

White pages

Aquelas tardes de domingo,
Na varanda... Líamos juntos.
De repente, você fechou o livro sem ao menos terminar de lê-lo.
Ainda tinha muita história pela frente,
Mas eu te vi contando as páginas,
Prevendo os capítulos futuros.
Um leitor moroso.
Eu te vi, com a vista cansada, com preguiça da nossa história.
Você, um leitor preguiçoso.

Eu, um escritor desperançoso.
Agora, fui obrigado a rabiscar uma nova historia.
Já me deram novas paginas,
Novas chances.
Mas aqui ta uma bagunça.
Folhas amassadas por todo lado.
Não sei mais escrever.
Não sei sem você.

U in me

Nada morre!
Você pode brincar comigo. Esconder-se em diferentes formas.
Mas nunca vou te perder.
Eu amo te achar. É meu jogo preferido.
Você sempre vai ficar aqui comigo, mesmo que eu não esteja mais aqui.
A nossa energia é eterna.
Essa relação é eterna.
E ela gira por todo o universo, para aquém dele, para além dele.
Você é eterno aos meus olhos.
Você nunca morrerá.
Eu te sinto todas as vezes que vejo o mundo viver.
Não tenho medo de você morrer, tenho medo de você me esquecer.
Essa é a pior “morte”. Não me deixe só.
Nada disso pode esvanecer.
Nunca abandone a si mesmo, a mim mesmo.
Seu tímido sussurro é um pedido de socorro.
Amo vc, amo sua necessidade em mim.
Vamos viver a eternidade, pois o tempo, assim como nós, não cansa.
Sou eu e vc, somos nós dois.

Viver é sentir

Eu gostaria de ser mais imparcial, sabe?
Tentar julgar as coisas com menos valor pessoal.
Ver a vida como ela realmente é.
Não, não. Como ela deveria ser.
Pois o mundo é/está nos olhos de quem vê.
No ouvido de quem ouve e na boca de quem diz.
Está nas sensações que nós sentimos.
Falando assim, percebendo assim,
Parece fácil tornar tudo possível,
Mas controlar essas percepções, sentimentos, visões é difícil.
Mais difícil ainda é quando desejamos que outrem perceba o mesmo que nós.
Quando acontece é uma dádiva.
Quando não acontece há desencontros, há rejeições.
Existem milhares de mundos.
Uns não se vêem. Outros sim.
Dentre os últimos há:
Os que brigam,
Os que se ignoram,
Os que se amam,
Os que se aturam.
Nem sempre com reciprocidade.
Por exemplo, o meu mundo ama o seu,
Mas o seu me ignora.
O seu mundo é para o meu mundo
Como o sol é para o nosso mundo!
Queria viver (perceber) as mesmas coisas que você
(portanto, viver num mesmo mundo)
No fim, viver é perceber!
E eu gostaria muuuuito que você me “vivesse”.

Cut

Corta o cordão,
Mas não fecha o portão.
Não te feches para mim!
Vem me visitar.
Tá desarrumado, mas eu acho.
É assim que eu acho.
Não chora, mãe. Controla essa ânsia de arrumar.
Controla teu achar, pois assim não vais achar.
Não vais me ver. Pensarás ver, mas não verás!
Deixa-me entrar, eu prometo não bagunçar.
Deixa-me te arrumar?
Não, né?
Eu sei! E agora?

Julgo

Pois é mais fácil ver pelos olhos de outro a si mesmo
do que ver a si mesmo por si mesmo.
A consciência fica mais leve.
A culpa é alheia e o soco dói menos.
A solução deve ser adjacente e requer menos.

Em consequência,
Julgo-te estúpido.
Acerto-te em tudo, em tudo.
Machuco-te de onde não posso machucar.
Busco-te lágrimas que não podes enxugar.

Firo-te pelo “pensamento alheio”.
Na veia, véio. Na veia, veio.
Alcanço-te bem no meio.
Soco-te no seio do peito.

Mas que defeito! Mais que defeito.
É possibilitar o impossível.
Inadmissível!
Odeio-te, criança. Cresceste!
Cresceste e não largaste essa mania de inventar,
Essa mania desastrosa de cumprimentar o inadmissível.
De beijar o intangível.

Pensamento tolo.
...mento que nem é teu.
Pensa... que é teu! É teu.
Pensas, penso!

É mais fácil ver pelos olhos de outro a si mesmo do que ver a si mesmo por si mesmo.Esse poeminha fala da INCRÍVEL capacidade que as pessoas (sem nomes) têm de pensar pelos outros. Muitas vezes acertamos, muitas vezes erramos. A questão é que arriscar assim não vale. A questão é que pensar é verbar subjetivamente. O pensamento é teu. Não posso acertar o pensamento alheio. Ele é adjacente. Cuide do que é seu. Não faça o que pode ser feito, faça o que te permite fazer mais e mais. Mais esse que é ser feliz!

Reflexao (esboço)

Eles servem de espelho,
Nem sempre refletem imagens...
Muitas vezes são atitudes,
as quais vão e vêm impregnadas de grande personalidade...
Antes fossem meras projeções, cópias perfeitas...
Pra essas já existe um manual de sobrevivência.

Mas se o que vai e volta é algo novo;
Tudo complica.
E não há vento, chuva, preces, abraços, lágrimas ou deuses que desfaçam o feito.

Imediatamente depois, é difícil distinguir o que deveria ter sido dito,
As possíveis inconveniências, que por serem verdades,
não anulam a dor da arrogante prepotência de ajudar.

Basta esperar,
Ver o tempo curar.
Aquele mesmo tempo q fez nascer uma amizade.
- E amadurece-la foi tão gostoso!
Resta observa-lo agir na sua suprema e impaciente lentidão,
Desejando rever o refletido já visto.
- E amadurece-la será tão gostoso!

Reflexão (musica)

São verdadeiros espelhos.

Imagens, miragens?

São putas atitudes cheias de trejeitos.

Se eu tenho medo?

Antes fossem jogos de tabuleiro,

Daqueles cheios de regras e sem nenhum defeito.

Mas se o que vai é velho,

E o que volta é novo,

Aí, irmão, não há vento, consolo, chuva ou sopro

Que desfaçam o grand feito.

Daí fica tudo turvo,

E as inconvenientes verdades não anulam a dor

Da arrogante e prepotente ajuda.

Lá se foi o “bom dia”...

Ajuda?

Agora é só assistir

O Sr. Tempo curar.

na impaciente ânsia de ver o já visto,

de conhecer o conhecido.

Aquele mesmo velho Sr., lento, cansado,

q fez nascer a saudosa amizade,

q fez nascer a bondosa maldade.

*(foi maldade, mas a intenção foi boa. Eu quis ajudar, mas ele se pergunta: ajuda?)