quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Enquanto a abstração ainda "cumpleaños".


Assumo: Sou um vivo com medo da morte.
Eis o porquê: Serei um morto sem medo da vida.
Ou não!
Mas a eventualidade desse triste fato me assusta.

Estava andando por aí quando pensei sobre.
Eu estava andando,
estava movendo as pernas,
estava vivo.
E a vida, como sempre é (nesse aspecto),
foi grata comigo.
Deu-me a oportunidade de pensar,
inclusive sobre a morte.
Por que a última não me dá?

Tô muito acostumado a pensar sobre fatos pretéritos.
Defendo isso porque, naturalmente e/ou culturalmente,
o homem é sociável!
Necessitamos contar, discutir, dividir, socializar fatos.
Nem que seja uma "sociabilização individual".
Essa necessidade existe,
e requer a sequencialidade.
Temos a mente funcionando a todo momento,
pensamentos entrando e saindo a todo tempo.
Não precisamos parar para pensar,
mas muitas vezes paramos.
Parar para pensar.
Que prazer!
Parar de pensar?
Nem tanto...

Um dos motivos de temer a morte
é a possibilidade de,
em sua superveniência,
o homem não poder raciocinar sobre ela.
Pra mim é um dos que mais me assustam!

Dar um tapa e pedir desculpas.
Ter a noite de amor mais fantástica do mundo e ser bobo pro telefone.
Cair e gritar "Puta merda!".
Chorar e depois rir.
Dar "Tchau" e depois dizer "Olá".

Imagina se pra todos esses exemplos,
dos quais todos nós conhecemos bem,
Não tivesse o "e" e um grande raio nos acertasse em cheio,
interrompendo-nos de pensar e de expressar.

Enquanto estamos vivos,
criamos vários escapes pra sarar essa preocupação.
É Jesus que vai descer,
é o Diabo que vai subir,
é Alá que vem de lá.
Criamos "lás":
lugares pósteres a nossa vida,
afirmando que a morte não é o fim,
mas uma transcendência da alma.

Essas justificativas
capazes de definir ordenamentos jurídicos de sociedades, costumes
e cotidianos,
só revelam a comunhão do medo!
Todos nós temos esse medo!

Aqui vai um aviso:
continue a criar "mentiras" ou "possibilidades" (como já disse Platão).
A vida será mais confortável.
Não é em vão!
Precisamos de esperança.
Sabemos que "a esperança é a última que morre".
Esperamos fugindo do desespero.
Esperamos o além.
Portanto criamos Deus, para quem damos "Amém".
O fato é que,
assim como nós,
ela morrerá.
E, quando esse fato for consumado,
não teremos mais mitos,
não teremos mais condição de ter,
porque ter requer viver.
Não saberemos o que é medo,
porque saber requer viver.
E tudo o que eu disse não passará de um devaneio.

Odeio ter que explicar poesias,
então incorporarei essa explicação na própria poesia,
deixando de ser uma explicação.
Devaneio, segundo Aurélio,
é "um capricho da imaginação; sonho, fantasia."
Que sejamos caprichosos e mentirosos.
Afinal, viver é uma efêmera folia!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Emprego do Desempregado


A força de trabalho anda movendo o que?
O que andam erguendo por ae?
Cadê toda essa eneriga?
Pra onde vai? Pra onde foi?

Pra onde foi a ERUPÇÃO, Mounier?
Nao vejo nada transbordar.
E quando vejo,
são apenas rostos mais belos,
carros privados mais modernos.
Vejo artesãos moldando e alisando a própria ganância,
dando molde a própria bonança.
Enxergo a felicidade privatizada
e pontes pedagiadas.
O trabalho tornou o acesso barato pra quem pouco trabalha,
e caro pra quem muito batalha.

Ah, Mounier, vejo a coisa mudada!
Vejo a Terra humanizada.
Vejo "bens" fazendo mal.
O desejo ainda mais individual.
Vejo força de trabalho construindo apenas pedestal,
do qual só cabe eu ou tu.
Vão tomar no cu!

A intenção nao era essa,
nao era pra termos entrado nessa.
Nao vejo jovem masturbando a mente
em prol de gente.

A erupção era pra ser distinta.
Trabalhar a natureza
pra deixá-la mais linda.

Eu nao quero trabalhar,
as opções são de enojar.
Eu nao encontro espaço,
nao encontro essência.
Eu nao me acho,
nao me dão subsistência.

Transformaram Mounier num imundo,
foda-se o mundo!
Vou assinar carteira pra ser vagabundo.