
São impressionantes as exigências que o sentido das coisas clama.
Admirável, posso dizer.
Claro que nem sempre o porquê das coisas é tão “guerra e paz”,
Mas os que são se tornam incrivelmente interessantes.
Flutue seu corpo numa água calma,
Num ar sossegado,
Em brisas que não falam.
Sinta-se puro e, conscientemente,
Deixe-se invadir por um estrondoso som.
Daqueles que escravizam o ar e a brisa,
Daqueles que, compulsoriamente, agitam as águas antes plácidas.
Percebeu?
Os seus sentidos, sensíveis ao oposto,
Precisaram do adverso para que o sossego existisse.
Claro que valorações se invertem em cada sujeito,
Mas, independente do juízo de valor,
as exigências são as mesmas para que julgamentos maniqueístas possam figurar num mundo.
(Despreocupado com opiniões,
Pois ele apensas existe,
E nós o valoramos.)
E é curiosíssima a forma como montamos os valores.
Por vezes, revoltante.
Tudo porque, num processo de autoconhecimento,
Amamos o melhor e odiamos o pior.
Incontestavelmente,
Esse processo de buscar o sentido das coisas requereu a saudação ao melhor e ao pior.
De que outra forma poderíamos comparar?
O ser humano constrói ideologias, opiniões, prédios, filosofias e idéias
A partir de relações.
Vide as equações matemáticas,
Vide as eleições,
Vide as evoluções.
A história tem sua construção caracterizada pela morosidade,
E tem sua edificação chamada de processo porque é sempre necessário olhar para trás,
Ou para baixo, ou para cima.
Por isso o mundo está repleto de críticas e de dedicatórias.
É tudo “... -2, -1, 0, +1, +2 ...”.
Surgem antecessores e os sucessores.
Surgem as escolhas e as definições.
Começamos no zero,
Visitamos os dois extremos,
Convencionamos um de Negativo e outro de Positivo.
Apesar de sabermos que são convenções,
Acreditamos ser verdade, já que sentimos essa veracidade.
Viajamos em tudo, moramos num lugar único.
Como disse,
O mundo está aí, assim como um papel para quem intenta escrevê-lo,
Assim como a história para a humanidade.
O mundo que vemos é oriundo da lógica que criamos.
Ele não é assim, mas PODE ser assim.
Nunca saberemos como ele realmente é,
Pois ele não “é”,
Ele “está”.
Admiro intensamente a doce Mary Jane.
A porta à casa dos deuses.
O instrumento do mito.
A saudação ao almejado e ao onírico.
O cumprimento ao alternativo.
Uma calorosa mulher capaz de fazer do teto o chão,
Do toque audição,
E do cheiro visão.
Apresentando a quem a prova um novo mundo,
Uma nova forma.
Mostrando aos sentidos a sua mais pura versatilidade.
Não defendo Mary (1, 2, 3),
Mas reconheço sua flexibilidade, sua desordem e sua ordem.
E por isso é tão odiada,
E por isso é tão amada.
Afinal, para uns o mundo "está" perfeito demais,
Para outros "está" monótono demais.
O incontestável é que ambos, por meio de imaginações ou realizações,
Já visitaram o lar alheio.
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