quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Julgo.


Julgo-me através de outrem,
através de ninguém.

Pois é mais fácil ver pelos olhos de outro a si mesmo
do que ver a si mesmo por si mesmo.
A consciência fica mais leve.
A culpa é alheia e o soco dói menos.
A solução deve ser adjacente e requer menos.

Em consequência,
Julgo-te estúpido.
Acerto-te em tudo, em tudo.
Machuco-te de onde não posso machucar.
Busco-te lágrimas que não podes enxugar.

Firo-te pelo “pensamento alheio”.
Na veia, véio. Na veia, veio.
Alcanço-te bem no meio.
Soco-te no seio do peito.

Mas que defeito! Mais que defeito.
É possibilitar o impossível.
Inadmissível!
Odeio-te, criança. Cresceste!
Cresceste e não largaste essa mania de inventar,
Essa mania desastrosa de cumprimentar o inadmissível.
De beijar o intangível.

Pensamento tolo.
...mento que nem é teu.
Pensa... que é teu! É teu.
Pensas, penso!

Picture by leninhagp

2 comentários:

  1. Olho-me no espelho.
    Vejo outrem.
    Aponto para mim mesmo e, através do espelho, vejo alguem apontando de volta.
    No final, sou eu e eu.

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  2. "É mais fácil ver pelos olhos de outro a si mesmo do que ver a si mesmo por si mesmo".

    Esse verso fala da INCRÍVEL capacidade que as pessoas (sem nomes) têm de pensar pelos outros.

    Muitas vezes acertamos, muitas vezes erramos. A questão é que arriscar assim não vale. Pensar é verbar subjetivamente. O pensamento é teu. Não posso acertar o pensamento alheio. Ele é adjacente. Cuide do que é seu.

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