quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Ponto.


E quando tudo tem vida,
tudo fica relacionado.
Ter vida é ter significado,
seja recebendo,
seja fazendo história.

E aquele pôr do sol? E aquele filme?
Sim. Pura vida!
Talvez a minha vida.
Fez-me perceber o quanto a distância emociona,
o quanto a reta afasta dois extremos,
o quanto a reta preenche-se de pontos.
Segmento? Semi? Sabe lá onde isso vai dar,
sabe lá de onde isso se deu.
O lápis risca história tão naturalmente.

A parte mais difícil é olhar onde se chega,
partindo de onde se parte.
Não, não.
O mais difícil é parar para parar e ver.
Quando eu vi, foi quando eu chorei.
Senti-me culpado de riscar torto,
de riscar diferente.
Foram anos de reta.
Serão tantos de curvas?

Vi que as lições de casa eram minhas,
e que já poderia fazê-las autonomamente.
Isso me assustou demais!
Deixei de sentir mãos guiando a minha.
Deixei de cobrir e colorir espaços predeterminados.
Isso me assutou muito!
Isso me fez chorar, fez-me ter vergonha.
Fez-me dar "oi" a um ponto localizado num desvio da remota reta.

Tudo porque toda lição tem avaliação.
E toda avaliação tem avaliadores.
E os meus... Ah, os meus.
Estão tão longe,
tão convictos de seus ensinos.
Certos da perpetuação.
E cá eu, convicto das minhas opiniões.
Nem tanto das minhas ações.
A lógica é dificil de ser quebrada.

Vago incessantemente em busca de aprovação.
Em direção ao autoconhecimento.
"Into the wild".
Será que pode-se usar o mesmo lápis,
sobre o mesmo papel?
Conciliação. Que dádiva!
Que onírico!
Poderei, eu, conciliar aprovação e autoconhecimento?
Ouvi por aí,
vi por ai que são retas paralelas que nao coincidem.
Mas também vi que tais retas se cruzam no infinito.
Nunca vi alguém que convergisse nesse ponto.
Alguns o chamaram de comunismo,
uns de paz mundial,
outros de "origem das coisas",
outros de Deus.
Pra mim... Felicidade.

Então, surge um andarilho esperançoso, cansado e único
que ruma ao INFINITO.
Um simples ponto,
cheio de paz pessoal.

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