segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Pálpebras abertas.
Pálpebras fechadas.
À medida que piscava,
a certeza do escuro se reafirmava.
Em contrapartida, o silêncio, naquela grande cidade, nunca foi a ausência de som.
Os sons costumeiros eram o seu silêncio.
O excesso, portanto, era o nada.
O excesso de gestos,
o excesso de ois,
o excesso de sorrisos
e as respectivas ausências.
As peles que tocava eram ecrãs táteis.
O cheiro já não havia.
Os cinco sentidos e a nova frente pedagógica cibernética.
Mas veio a surpresa!
Veio aquele "bip".
Um ecrã tátil formoso que se permitiu deslizar e brilhar.
Não era excesso, pois, se assim fosse, seria nada.
Não era nada, pois longe de ser excesso.
Era um "bip" medido em bpm cardíaco.
Era algo saudável,
que nao tinha a pesada pretensão de ser algo,
e nem a ilusão de ter sido um récorde.
É um fluir, um devir, um deslizar.
Uma tranquilidade.
Sensação flexível a quaisquer linguagens,
pois à frente de todas as frentes.
Sem importar-se com o futuro,
dia após dia, construía-se um presente.
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