sábado, 9 de março de 2013

Tudo começa com um simples repouso. Um simples suspiro que não deu certo, Pois em vez de ser seguido por uma reconfortante inspiração, O ar te falta. E te faltam muitas outras coisas. Os sentidos vencem a abstração. Perde-se a habilidade de imaginar o que pensariam de ti. A carne inteira treme e tudo que sente é um rio desbravador que nasce no umbigo e ruma ao peito. E à margem desse furioso córrego estão os amigos e entes bem quistos. A tristeza navega, As ondas do desespero espirram a felicidade e espumam o salgado das lágrimas. Tu te afogas sem poder morrer, E as lágrimas são pequenas diante de tamanha profundeza que é o interior de ti mesmo. Tu afundas e sentes, sentes e só sentes a força da tua própria natureza. As pernas adormecem, A alma padece. O batimento cardíaco, símbolo de vida, representa o pânico. E as moléculas inteiras dançam juntas. Não é só o peito que bate. Tu te bates todo. Bates tão forte e percebes que estás vivo. Mas o que bate dentro é teu eu aprisionado. É teu punho que bate a parede do teu peito em meio a um desespero que não tem voz porque o oceano agitado de tuas lágrimas não deixam tuas palavras vibrarem e passearem pelo ar que há muito te faltou. É a perfeita cena do afogado que soca o vidro fosco de um barco naufragando. O teu coração é teu punho que só descansa quando preso por uma tarja preta adesiva que terá a hora de arrebentar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário