sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Não eram copos.
Não eram velas.
Muito menos cravos,
Ou lençóis.
Era o que fazia de tudo isto ser tudo o que é e não ser nada do que somos.
Éramos o principal.
O residual, acessório.
E nada nos excedia, além de nós mesmos, um ao outro.
Éramos receptores e,
Entrementes paríamos dores, prazeres, afetos, carícias,
A dor, proporcionalmente, paria-nos, assim como chorávamos lagrimas, as lagrimas nos refletia
E nos transpassava.
Diluindo as entranhas,
Servindo de ingrediente a uma receita inédita e genuína.

Éramos pessoas!
Sentíamos o mundo distintamente,
Um a seu modo,
Porquanto os sentidos,
Domesticados pelos afincos,
Criavam seus criadores.
Éramos Deus de nossos deuses.

Hodiernamente,
Pesa-me minha divindade ser teu maior malefício.
Pesa-me mais a tua leveza.
Pesa-me o meu próprio peso sobre ti,
Do qual foges com destreza.

No fim,
Minha maior pobreza é ser Deus de meus demônios.

Um comentário:

  1. (Essa ultima frase é perfeita: sou Deus porque crio e sou a origem de tudo o que me cerca. Sou o Deus do diabo, e o diabo é o que sinto. Porém, são os sentimentos profanos e maléficos, combatidos por Deus, que sou eu. E meus sentimentos, o diabo, me tentam e me entristecem. Declinam minha alegria e criam insatisfações. Assim, os sentimentos que sinto por ele, foram criados por mim, assim como o diabo por Deus, e me fazem mal, assim como o diabo o faz. Há um conflito eterno entre mim e mim mesmo).

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