sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Comprando flores


Digamos que essa situação está se tornando entediante.
Sentir meus lábios sibilarem mitos.
Assistir seus devotos olhos encontrando sua própria religião.

Sim, não... Não, sim...
O quê tu queres?
Estás jogando dados deturpados ao abordar-me tão rudimente.
E sua vida tem sido jogá-los.

Eu posso ter o estigma que designares,
pois seus olhos refratam e transmitem a sua verdade
e o mundo é suas fartas escolhas.


Flores não têm o mesmo perfume,
e nem mesmo preços similares.
Agora,
se queres te arriscar,
numa tarde tempestuosa e tendenciosa,
a sentir a mesma essência que eu;
pergunte-me qual o valor delas para mim.

Aparentemente,
somos um casal vagando pelo parque,
comungando das mesmas flores.
Essencialmente,
somos um casal profundamente solitários.
Tu as compra com bronze pensando ser ouro.
Eu as compro com ouro e bronze.
Mostro-te os valores que especulas ser aquele que escondo.

Atente para as suas noites solitárias.
São as noites em que eu pago pelo meu real valor nas floriculturas da funesta periferia local.

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