domingo, 15 de julho de 2012
Sentia-se mensurável como suas revistas de Filosofia. Qualquer um poderia lhe comprar, pois se permitia a tanto. Mas uma revista poderia ser tanta coisa, tão funcional a qualquer mente criativa. A revista era um papel, antes de tudo: Poderia embrulhar pregos, servir de bolas de brinquedo, ser mal lida, mal interpretada...
Por vezes, sentia-se suas músicas francesas. Uma beleza melancólica, uma resignação que suspirava paz. Uma vibração qualquer.
Ele se sentia gasto! Transbordava e era como se nada fizesse. Tinha uma potência, uma latência. Apesar de tudo isto, transbordava sem destino. Decerto, havia um destino. E percebeu que a vida é cheia deles. Cheia de chegadas. Eram tão numerosas diante de um único desejo. Parecia que a concreção de sua vontade era um milagre, assim como a convergência de olhares num dia de domingo.
E viu que suas vontades eram tão mimadas. Percebeu que nada sabia sobre reciprocidade. O que é interagir? O que é um interlocutor? O que é um receptor? O que são mensagens? O que é viver? Sentiu-se tão tolo por nunca se questionar. Para tudo havia uma correspondência. Se sua essência transbordava, mirava ao chão. Se lacrimejava, a água descia para a boca. Era uma transa surpreendente: poderia gozar, machucar-se, interromper, continuar, acelerar e tudo mais que nem as palavras conseguem dizer.
Agora, sente-se responsavelmente irresponsável por tudo. A vida requer este desleixo, falta de seriedade e assunção do eventual. Viver é se surpreender.
Somos estados. Mas só é volátil quem se pergunta. As respostas são breves. E somos as efêmeras soluções dos problemas que criamos. A vida incita a morte portanto. É a natureza questionando aquela brevidade, dando sequência a uma outra. Vai ver, cada célula, cada átomo se questiona: para que subsistir? Por que retenho a água? Metabolizar por quê? A morte é um marco, uma crise, um problema. E a vida é a resposta de quê? De uma morte pregressa? De um Deus que questiona sua solidão? De partículas ávidas para medir forças? De um nada que pergunta se pode ser tudo? Ou a vida é uma afirmação/negação originária?
Ele percebeu tudo isto e amou cada resposta e cada pergunta. Um amor tão livre quanto o materno. E viver era mudar a entonação de suas frases...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário