segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Chá das 8.

Se proclamas-te tão direto;
por que um "l" faz "mala" ser "mala"
e um "c" "maca" ser "maca"?
Coisas "distintíssimas".
A vida é frase.
Há tantos pontos mínimos,
nem maiúsculos,
catastróficos?
A infinidade de ordens procedimentais enseja rabiscos,
arrependimentos.
Porque,
afinal,
a essência é o que importa.
Vejamos:
"A cor importa?"
"Não importa",
ou "Não, importa".
O detalhe repousa na questão que incita a via de mão dupla.
Vida é frase,
ou tem sido.
Talvez se uivássemos como os lobos,
ou pingássemos como as gotas.
Talvez.
Nem concordo que seja um poema lindo.
Porém,
gostaria de repousar teu corpo.
Apagar as luzes,
pois os olhos são vícios e fraternos a boca,
mãe adotiva das palavras.
Retornando:
desejo repousar-te,
prescindido da forma que os sentidos têm se amado.
E que a alma desta poesia descansasse sobre a tua percepção.
Regozijar-te-ia em plenitude.
Há tempo que estou aborrecido com as palavras.
E não há tempo que nos segregue ultimamente.
Enfim,
a vida tem sido frase.
Tenho fracassado em minha falsidade com elas.
São meus sussuros que exaurem e delimitam os segredos.
Tudo é segredo.
"Oi" é segredo.
Há tanto por trás.
Vejo,
em outro plano,
que poderia ser,
mas entenderias?
De que adianta segredos trancafiados?
Espero tocar-te nesse intervalo,
nesse branco,
nesse repouso das palavras.
Há muito mais nele...
Há tudo, bem como nada.
Exaurímo-nos em um "olá"
(pois despendemos todas nossas forças inocuamente).
Encadeamos vários sentimentos.
Poderíamos ter sentido mais ou menos,
mas tudo o que sentimos foi "olá".
No branco,
regozijar-nos-íamos em plena falsidade e hipocrisia.

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