quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu senti suas mãos cumprimentarem minha pele suada e fria.
Não soube dizer se,
ao certo,
eram "boas-vindas".
Eu as sentia frenéticas.
Tapeavam-me.
Mas meu tato,
tão parcialmente inclinado,
sibilava,
decididamente,
comandos a mim.
Eram carícias.
Meu olhos,
marejados,
consentiam.
Eu sorria cinicamente.
O meu corpo estava confuso...
Eu estava.
As minhas vontades deram vez as tuas.
Tinhas influência forte sobre mim.
Sobre todos os meus sentidos.
Só naquele instante eu percebi:
Era um eterno afogado.
Mas não no início do naufrágio,
menos no seu fim.
Na intermediação da agonia,
que alinhavava a esperança de um devoto fiel e o desespero.
Na nuance.
Quase nu,
se não fossem farrapos do orgulho subsistente.
Praticamente nu,
pois pleno de vergonha e fraqueza.
Se no início,
ao fim.
Se no fim,
a um eventual começo.
Porém,
na nuance,
ausente de palpites
(ou na companhia de milhares deles),
foi onde me soltaste.

*Suspiros* *Mensagens* *Interpratações* *Ações*

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