domingo, 30 de maio de 2010

Agradecido por suas respostas.
Farto de suas questões.
Serviu.
Impossível dizer que não.
Faço belas poesias.
Conto vendáveis histórias.
Sim, serviu.
Mas estou farto de ti;
apesar de todas as tuas lições:
Que promessas são eco (reiteradas, fracas e convincentes).
Que beijos não são garantias.
Que sorrisos podem ser cínicos.
Que palavras,
antes de remetidas,
viajam por caminhos mal sinalizados,
escuros,
espaçosos e vazios.
Que intenções precedem ações.
Que estas são fantasias daquelas.
A lã de um lobo,
pois o cordeiro fui eu.
EU que sacrifiquei minhas certezas.
EU que sacrifiquei meus medos,
que um dia,
por um lapso,
achei serem paranóias.
Sacrifiquei-me profundamente.
Ousei desafiar minhas intuições.
Ri delas.
Chamei-as de tolas e as ignorei como...
Agora elas riem de mim.
Agora eu rio de mim.
Incrível como fizeste o mundo possível.
Os clichês, originais.
As estórias, histórias.
SIM, serviu!
Eu aprendi mais sobre mim;
nada de ti;
muito menos de nós dois.

O mais difícil não foi dizer:
"Saia. Eu ORDENO que saias!"
Pois a reunião das minhas partes exigiu exímia diplomacia.
Redefiní os padrões.
Delimitei as coisas.
Desaprendi.
Já tinham me dito sobre desaprender:
"'Desabitar' os hábitos.
Habitantes convictos".
Mas a minha ordem foi clara.
"Saia daqui!"
Expulsei princípios ínsitos,
pois alinhavavam normas suas.
Incitavam um todo ilógico, irracional e desarmônico.
Se a ordem foi para ti?
Jamais, garoto.
Faça-me rir.
Já disse que cansei de tuas questões e me perguntas isso?
Essa conversa nem deveria existir.
A minha revogação de ti foi tácita.
Uma vez íntimo de mim e de minhas manhas,
expurgo-te coerentemente.
Expurgo-te derradeiramente.
O objetivo primeiro foi e é me encontrar.
Amar-me.
O fim não passou de coerência e compatibilidade.
Nesse encontro,
desencontrei-te.
Adeus.

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