domingo, 28 de fevereiro de 2010
Foi uma tarde em preto e branco. Caminhando, destemidamente, pela rua das convicções, ouvi um estrondo. Assemelhava-se a um sino de Igreja - como aqueles que acordam crianças para as aulas de catecismo. Ao redor, observei vários corpos seguindo a fonte sonora. Peguei-me no mesmo rumo. Era realmente o sino de uma Igreja. Todos pareciam admirados e encantados. Sentiam-se afastados de tanta grandeza. A impossibilidade parecia a maior possibilidade humana já sentida. Os pés pareciam me levar até lá, mas eu sabia que algo os levava. Foi aí que desviei a atenção deles. O sino embalava, divinamente, as energias do meu corpo. Sentia-me sujeito a tudo naquela situação. Já ouvia até um coral, do qual faziam parte os corpos: "És tudo e eu não sou nada". A torre que abrigava o sino se apresentava aos poucos, bem como imagens se formam para um astronauta ao passear sobre um pequeno planeta. Fato um tanto celestial. Meu verbo era admirar e me surpreender. Já caminhava pela rua da admiração. Nem tanto o sino; muito menos o som. Quem balançava a corda era sagrado. Nos segundos em que ousávamos desviar o olhar, víamos várias torres (bem menores). Cada uma tinha ferramentas e recursos para edificar uma torre de babel. O sino tocou mais forte, e todos voltaram suas atenções às torres dos sábios (sim, outras torres surgiram). O rosto dos corpos revelavam um temor, uma incapacidade. Naquele ponto eu nao poderia saber, mas eu nunca balançaria uma corda na vida.
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